A quase 100 dias depois do início da nova gestão em Cuiabá, o secretário de Governo e presidente do PL Mato Grosso, Ananias Filho, disse que o prefeito Abilio Brunini (PL) ainda vive um “momento de trégua” com a população.
Ele, entretanto, disse entender que o tempo para entregar resultados irá chegar.
“A lua de mel para todas as prefeituras que têm mudança de gestor, geralmente, é de seis meses. Então, o Abilio ainda tem um prazo, mas já é sabedor que tem que apresentar resultados”, afirmou Ananias ao MidiaNews.
Ele não vai fazer é loucura, não vai ser salvador da pátria. Mas terá sabedoria para implementar as mudanças
“A partir do momento que ele der conta de, realmente, planejar a cidade e colocar em prática o planejamento, a população irá cobrá-lo, mas o Abilio está preparado para isso”, acrescentou.
Abilio assumiu a prefeitura com um rombo superior a R$ 2 bilhões herdado da gestão Emanuel Pinheiro (MDB), além de uma cidade tomada por buracos, entulhos e serviços públicos deteriorados.
Mesmo diante do cenário desafiador, Ananias afirmou que o prefeito não adotará medidas populistas. “Ele não vai fazer loucura, não vai ser salvador da pátria. Mas terá sabedoria para implementar as mudanças. […] Ele não vai fazer obra faraônica, palacetes, se não for dentro da utilidade”.
Na entrevista, o secretário ainda descartou que o prefeito tenha perfil “centralizador”, detalhou como mediou o conflito entre a prefeita de Várzea Grande Flávia Moretti e o vice, Tião da Zaelli, e os desafios do PL para a eleição de 2026.
Confira os principais trechos da entrevista (e a íntegra do vídeo abaixo da matéria):
MidiaNews – A gestão Abilio encontrou um cenário financeiro complicado ao assumir a Prefeitura, fala-se em uma dívida de mais de R$ 2 bilhões. Além do rombo, quais foram as maiores irregularidades herdadas da administração Emanuel Pinheiro?

A Prefeitura não tinha, em nenhum momento, um planejamento estratégico, […] havia apenas aumentos sucessivos nas despesas diárias. O dinheiro público parecia que era infinito
Ananias Filho – A maior preocupação que foi herdada foi o senso de irresponsabilidade que se tocava a coisa pública. A Prefeitura não tinha, em nenhum momento, um planejamento estratégico, qualquer diretriz para uma gestão austera e redução do custeio da máquina pública. Ao contrário, havia apenas aumentos sucessivos nas despesas diárias. O dinheiro público parecia que era infinito e na verdade é finito.
O maior desafio do prefeito Abilio foi justamente fazer a contenção do custo operacional da Prefeitura para que mantivesse os serviços bem oferecidos à população, principalmente à população humilde. Fazer com que realmente a população não fosse prejudicada. Ou seja, equacionando a receita com as despesas que a gestão pública precisa tocar.
Não se diminuiu nem se paralisou nenhum serviço público, e a dívida da Prefeitura de Cuiabá está sendo equacionada aos poucos.
MidiaNews – Entre as primeiras ações, houve a reforma administrativa e o corte de alguns contratos. Sentiu resistência dentro da máquina pública com as mudanças? Como foi o impacto disso na administração?
Ananias Filho – Cuiabá sentiu. Inicialmente, houve uma grande diferença ideológica dentro da gestão. A formação que se tinha era de uma gestão precária e bagunçada de oito anos.
O Abilio vem com uma postura totalmente diferenciada, de uma pessoa que quer saber os mínimos detalhes de cada secretaria: como anda, como funciona… E, aí, houve uma dificuldade maior, que não é só resistência, mas também uma transição que não foi devidamente feita conforme preconiza a lei.
MidiaNews – Houve boicote na transição por parte da equipe da gestão anterior?
Ananias Filho – Sem dúvida que teve. As informações nunca chegaram por completo, chegaram sempre truncadas, pela metade. Informação pela metade é o mesmo que não ter informação.
MidiaNews – Hoje, sente que essa resistência dos servidores está sendo quebrada? Afinal, são apenas 90 dias…
Ananias Filho – Noventa dias, mas o pessoal já viu a responsabilidade que tem o prefeito Abilio. Já vestiu a camisa. Abilio, com 90 dias de gestão, deveria estar pagando três folhas e está pagando quatro folhas.
O prefeito Abilio está sendo muito determinado. Ele está pagando quatro folhas, quatro prêmios. Ele está pagando a folha por inteiro, não pela metade. O Abilio está sendo um craque na condução da prefeitura municipal neste momento.
Ele está fazendo mágica. Óbvio que mágica não se faz. O que tem é austeridade e ele controla as torneiras de todos os secretários para que não haja gasto exagerado.
MidiaNews – O prefeito tem sido considerado centralizador. Os críticos dizem que ele não deixa os secretários agirem e o cargo que o senhor ocupa é uma pasta de articulação política. Esse modo centralizador de agir do Abilio não apequena a sua Pasta?
Victor Ostetti/MidiaNews
O secretário de Governo Ananias Filho descartou que Abilio tenha perfil centralizador
Ananias Filho – De forma alguma. Não diminui a minha pasta. Até porque eu não iria fazer nada que não fosse por orientação da gestão, daquele que vai estar com o CPF à disposição da Justiça, que é o prefeito Abilio. A gente faz tudo de comum acordo. Ali não tem nenhuma dificuldade e a gente vê o bem comum que é a cidade de Cuiabá.
O Abilio não tem nada de centralizador. Ele tem uma capacidade muito grande de articulação que poucos conheciam. Achavam que o Abilio de forma alguma iria ser tão discutidor e tão aberto para receber orientações. Ele recebe orientação das crianças, das comunidades e recebe todo mundo no gabinete dele.
Ele não está interferindo na pasta, mas está gerenciando e ajudando a gerenciar. Ele é o responsável de todas as pastas. Então, ele não é centralizador, ele é comprometido com a gestão, que é diferente. Ele não deixa as coisas à la volonté.
E o secretário que não tiver a vontade com a forma do Abilio agir, tem que ser honesto e falar: “Olha, dessa forma eu não vou estar à frente da pasta e vou entregar”. Mas tenho certeza que ninguém entregará a pasta, porque Abilio permite que os secretários tenham sua autonomia.
MidiaNews – Uma das promessas de campanha do prefeito foi economizar R$ 100 milhões nos 100 primeiros dias de gestão. Ele vai conseguir cumprir essa promessa?
Ananias Filho – Ele já passou disso. São mais de R$ 350 milhões economizados. Só na Educação foi em torno de R$ 111 milhões. Ele fará essa economia com tranquilidade, com os pés nas costas. Só com a diminuição de contratos, já supera esse valor.
MidiaNews – Sobre essa questão dos contratos, falou-se muito dos contratos de T.I.. Esses eram os contratos que havia mais erros?
Ananias Filho – Muitas vezes tinha contratos com o mesmo objeto na Prefeitura de Cuiabá e em algumas secretarias. O prefeito Abilio, sabiamente, concentrou esses contratos. Por exemplo, ele extinguiu o contrato da secretaria A, B e C e deixou só esse contrato maior que estava na Prefeitura, por meio da Secretária de Gestão e estendeu o objeto para todas as demais secretarias.
MidiaNews – Depois de 90 dias, acha que acabou a lua de mel da população com a nova gestão, ou seja, as entregas e soluções terão que ser mais efetivas a partir de agora?
Ananias Filho – A lua de mel para todos as prefeituras que tem mudança de gestor geralmente, no Brasil, é de seis meses. Então, o Abilio ainda tem um prazo, mas já é sabedor que ele tem que apresentar resultados.
Os buracos… Sai os buracos do Emanuel, entra no buraco da nova gestão. A partir do momento que ele der conta de, realmente, planejar a cidade e colocar em prática o planejamento dele, a população terá consciência e irá cobrar da gestão a Abilio. E o Abilio está preparado para essas cobranças, porque o que ele não vai fazer é loucura, não vai ser salvador da pátria. Mas irá buscar sabedoria para que possa implementar as mudanças.
O povo vai ter a paciência necessária, mas tem um limite. E até lá, terão obras estruturantes, infraestrutura e o Abilio já falou: ‘Só vou fazer quando tiver o recurso em caixa’. O Abilio não vai fazer obra faraônica, palacetes, se não for dentro da utilidade [para a população] e da razoabilidade financeira da Prefeitura.
MidiaNews – E ele já está tentando esse recurso por meio de emendas parlamentares?
Ananias Filho – Ele está tendo muita capacidade de articulação. Ele tinha saldo das emendas dele, já colocou tudo para Cuiabá. Para todos os parlamentares da bancada de Mato Grosso entregou os projetos com valores de cada bairro que não tem infraestrutura de asfalto…
MidiaNews – E o dinheiro já começou a chegar?
Ananias Filho – Começa no próximo semestre, porque em Brasília está atrasado até a votação do orçamento.
MidiaNews – O Abilio anunciou a demissão da secretária de Educação, Solange Dias. Essas modificações, no início da gestão, analistas políticos citam um possível desorganização na gestão. Há uma desorganização ou até uma insatisfação para com a então secretária?
Ananias Filho – Não, não houve uma insatisfação. A secretária tinha esse desafio conversado desde o início. O primeiro desafio era gerir a maior pasta de uma prefeitura, com o maior número de servidores efetivos. É uma pasta que requer um olho clínico muito apurado, pois têm as questões da gestão de pessoal, infraestrutura, e pedagógica. São três eixos que essa gestão tem que tomar conta.
E, lógico, vinha de uma gestão de oito anos, totalmente diferente. Com uma ideologia diferente. E isso tudo, quebrar da noite para o dia, é difícil. Houve essa resistência, ela sabia desse desafio, tanto é que não é por falta de conhecimento e de capacidade [que foi demitida]. O prefeito já tinha esse compromisso com ela que de forma alguma ela ia sair da gestão.
Se fosse por um desentendimento ela sairia da gestão pública, mas ela está indo para outro desafio, que é fazer a formação dos servidores públicos.
Eu não vejo nenhum desalinho de ter a mudança. As mudanças são constantes, porque nada é eterno.
MidiaNews – Outras mudanças, ainda nesse primeiro semestre, podem acontecer?
Ananias Filho – Até amanhã pode ter mudança. Tudo pode acontecer numa gestão pública. Primeiro os cargos são exclusivamente do prefeito, cargos de confiança.

Até amanhã pode ter mudança [demissões]. Tudo pode acontecer numa gestão pública. Os cargos são exclusivamente do prefeito
Então, um secretário ou um servidor podem quebrar a confiança. E é normal.
MidiaNews – O senhor teve ali um papel fundamental de mediador no atrito entre a prefeita de Várzea Grande Flávia Moretti e o seu vice, Tião da Zaeli. O resultado dessa reunião serão efetivos ou é possível que ainda haja entreveros?
Ananias Filho – A relação é do ser humano, que é composto de carne e osso, espírito e alma. E tem gente que tem uma vaidade maior ou menor, tem gente que se apega ao cargo, outros não, tem gente que faz compromisso, outros não. Como diz aquele poeta: para mim o fundamental é ser feliz e fazer a coisa certa.
Eles tiveram o entrevero e foi uma briga que fiquei muito triste. Eu fiquei sabendo da confusão instalada na noite de quinta-feira, não dei nenhum telefonema, porque eu não gostaria nunca de estar interferindo numa relação de dois filhos queridos e eu fiquei quieto no meu lugar.
Quando acordei, já tinha mensagem de um dos protagonistas daquele desalinho, relatando tudo. Quando foi mais tarde, recebi a ligação da outra parte. Falei: “hoje é sexta. Sextou para vocês dois e vamos conversar na segunda-feira”. E eles ficaram lá remoendo, lambendo tudo que tinha de lamber e se asserenando. A única coisa que eu pedi: “não se façam mais pronunciamento nenhum”.
Na segunda-feira desci para VG, reuni os vereadores, dentro da Câmara Municipal, mostrei claramente que a opinião deles era muito importante e que eles tinham que participar de uma construção de unicidade, porque aquilo ali era um projeto do partido. Além disso, a população de Várzea Grande não poderia, de forma alguma, ser prejudicada pelo desentendimento entre dois personagens importantes do partido. Eles se comprometeram comigo que ficariam em silêncio e buscariam essa união de todos.
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Ananias foi mediador no atrito entre Moretti e Tião da Zaeli e garante: “Lá na cidade de VG a paz reina”
Fui para o Paço Municipal, conversei longamente com a Flávia, mostrei a ela a grandeza de uma eleição, batendo naquela oligarquia que lá se encontrava. Várzea Grande foi o maior prêmio do PL em Mato Grosso, aquela surra que demos. E ela reconheceu.
E eu não pedi, em nenhum momento, que a Flávia abaixasse a cabeça para o Tião. A Flávia compreendeu que era importante para o projeto do PL, o projeto da cidade e da população que precisa muito, que tem sede de água, tem carência de infraestrutura, de um serviço público coletivo de transporte, na saúde. O desafio dela é bem maior do que a discussão com o vice-prefeito.
Me reuni depois com todos os secretários dela, ela franqueou para que eu conversasse. E depois eu fui conversar com o Tião, sozinho. Eu disse: “Tião, você vai deixar o povo padecer? Não se faz isso”. Aí ele disse que: “Eu estou sofrendo”. E a Flávia tinha colocado o mesmo termo. “Eu estou sofrendo muito em discutir com o Tião”.
E o Tião disse que não havia sido cumprido o que eles tinham combinado. E eu disse: “Tião, qualquer coisa que aconteça, a responsabilidade será da Flávia, o CPF é dela”. E ele se colocou no lugar e foi se aceitando.
Agora, na terceira reunião, a Flávia se sentiu acolhida, o Tião também. E isso foi muito importante e conseguimos ter novamente a união.
Se será eterna essa paixão, não posso falar, não posso garantir, mas nesse momento os anjos estão dizendo: “Lá na cidade de VG a paz reina”.
MidiaNews – O Tião citou, na primeira entrevista que deu após a briga, que há oportunistas rodeando a gestão. Ele citou, por exemplo, que na época da campanha sobraram adesivos dele da Flávia e agora há bajuladores. É isso mesmo?
Ananias Filho – Isso é normal. Tem gente que tem capacidade de tirar o adesivo do perdedor e colocar do vencedor. Esses adesivos que sobraram, se saírem às ruas hoje, serão colados por todos. “Sou Flávia e Tião”, você pode ter certeza. E é verdade.
O puxa-saco, às vezes, dá mais trabalho do que as pessoas responsáveis. E o Tião tem uma qualidade: uma fidelidade e lealdade muito grande, mas muito grande. Falta ao Tião um pouquinho de… “Eu sei o que você fez no verão passado”. E fazer de conta que aquela pessoa está ali como parceiro de primeira hora. Porque, hoje, todo mundo é Abilio, todo mundo é Flávia…
MidiaNews – Uma malícia?
Ananias Filho – Malícia, ser um pouco mais político. É abraçar o cidadão que fala: “Sou você Tião”. E saber: “Você é nada, mas eu te aceito aqui”.
São coisas da política. Há gente que não tem caráter, nem escrúpulos. Para tirar proveito de qualquer coisa, se agarra qualquer um.
MidiaNews – Hoje, o candidato do PL ao Governo de Mato Grosso é o senador Wellington Fagundes. O governador Mauro Mendes tem interesse em uma aliança com o PL para a próxima eleição, porém defende o nome de otaviano Pivetta ao Governo. É possível que haja essa aliança com o PL?
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O presidente do PL Mato Grosso Ananias Filho: “Vamos buscar é o que será melhor para o Partido Liberal [na eleição de 2026]”
Ananis Filho – Tudo pode acontecer, inclusive nada. O que vamos buscar é o que será melhor para o Partido Liberal. O Partido Liberal tem direção estadual fortalecida. Temos uma das melhores taxas de entrega em nível nacional. Aqui, fizemos tudo que fizemos sem termos o Governo de Mato Grosso.
Na eleição do ano passado, mesmo com o arco de alianças na eleição de 2022 com o União Brasil, houve lugares em que ficamos juntos, mas na maioria ficamos contra. Para mim tudo é normal.
E hoje temos, no PL, o Wellington Fagundes que está articulando e buscando ter um lugar ao sol pra ser o candidato a governador. Nós temos o Odílio Balbinotti que fala em vir e articular a candidatura. E nós temos ainda o arco de aliança da eleição de 2022, que era PL, União Brasil, Republicanos e o MDB.
Qual é o alimento dos políticos? O alimento dos políticos é a conversa, é a palavra. Então, vamos gastar o nosso alimento. Vamos discutir, alinhar.
MidiaNews – Brasília tem interferido?
Ananis Filho – No dia 1º de abril, estive com o presidente do PL em Brasília Valdemar Costa Neto, conversamos mais de duas horas, foi mais de uma hora de conversa só eu e o presidente Jair Bolsonaro. Estamos buscando nossa estratégia. Os outros partidos que busquem o deles.
Não vamos sentar com partido nenhum para induzirmos eles a comprar o nosso projeto. Vamos ter nosso projeto. Pode ser até projeto de composição partidária com outros partidos para que o PL não seja o cabeça, mas diremos: “Nosso projeto é esse”. E estipulamos que devemos ter um senador da República, temos que ter uma chapa forte do deputado federal, temos uma chapa completa do deputado estadual e quem quiser estar junto conosco, os braços estarão abertos”.
MidiaNews – O senhor falou sobre a possibilidade de nem ser a cabeça de chapa, então nem o Wellington e nem o Balbinote estão definido para a disputa ao Governo?
Ananias Filho – Ninguém está definido, nenhum partido está definido, até porque tudo pode acontecer. O senador Wellington é hoje o maior líder político de mandato do PL e ele está colocando o nome à disposição.

Se Wellington ver que não tem capacidade de fazer campanha, que pode sair maior do que entrou, acha que ele vai arriscar? Não!
Agora, se chegar a um momento que o senador Wellington ver que não tem capacidade de fazer campanha que possa sair maior do que entrou, acha que ele vai arriscar? Não, ele não vai arriscar!
Mas o partido do tamanho que saiu [da eleição de 2024], tem capacidade de ter candidatura própria.
MidiaNews – O senhor falou de candidatura a Governo, e quanto ao Senado? O PL tem condições de lançar dois nomes?
Ananias Filho – Nós temos nome. Agora, lançar dois é muito difícil, porque uma campanha de duas vagas, não parece, mas é mais difícil do que de uma só. Porque você tem que buscar o primeiro e o segundo voto. Você tem que buscar o primeiro voto seu e tem que tentar buscar o segundo. Se você não colar o segundo voto, a situação sua de derrota é bem clara.
Hoje, como candidatos ao Senado temos o governador Mauro Mendes, o deputado José Medeiros, Antônio Galvan, Janaína Riva, Carlos Fávaro, e o senador Jayme Campos, que fala em ir à reeleição. E ainda deve vir um naniquinho.
MidiaNews – O deputado José Medeiros já falou à imprensa que é candidatíssimo ao Senado, pois havia o compromisso firmado com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ananias Filho – Nós temos compromisso de candidatura do Medeiros desde a eleição de 2024, quando formatávamos as candidaturas dos prefeitos municipais. Todo mundo, dos 1.050 que vieram a ser candidatos a vereador, sabe que o compromisso do PL é a candidatura do Medeiros. 850 receberam recursos próprios do Partido Liberal e todos eles com uma certeza: têm que apoiar o candidato a senador do Partido Liberal.
E se nós lançarmos candidato a governador, tem que ter essa fidelidade.
MidiaNews – Nessa conversa que teve com o Valdemar e com o Bolsonaro, fizeram projeções? O PL já sabe quantas cadeiras querem fazer em 2026?

Nós vamos refazer a bancada novamente em 2026. Pode ter certeza
Ananias Filho – Nós vamos refazer a bancada novamente em 2026. Pode ter certeza. Nosso planejamento estratégico já está montado. Desafio qualquer partido a ter a quantidade de votos que o PL fará em 2026 para deputado federal e para deputado estadual.
MidiaNews – O marido da Amália Barros, Thiago Boava, deve vir a federal?
Ananias Filho – Será candidato a deputado federal.
MidiaNews – E tem algum outro nome que o senhor pode nos adiantar que seja uma surpresa…?
Ananias Filho – Nós temos um grupo. Se for mantido o mesmo número de candidaturas, teremos que lançar no mínimo seis homens e três mulheres. Já temos cinco candidatos homens devidamente escolhidos, e temos duas mulheres definitivamente já colocadas: coronel Fernanda e Rosana Martinelli [ex-prefeita de Sinop]. Nessa única vaga, temos seis pessoas concorrendo a ela.
No caso dos homens, temos 15 pré-candidatos disputando essa vaga.
MidiaNews – O senhor pode nos adiantar a nome? O Barbudo…?
Ananias Filho – Não, mas três eu posso adiantar tranquilo. Um é o Rodrigo da Zaelli, outro é o Nelson Barbudo e outro é o Thiago Boava estão devidamente garantidos aqui. Aí, temos dois que são deputados federais que poderão vir para cá também.
MidiaNews – Que o PL está convidando?
Ananias Filho – Estão quase aqui… De outros partidos, mas não posso falar senão atrapalho as negociações.
MidiaNews – É um policial Militar?
Ananias Filho – Não, é um grande político mato-grossense.
MidiaNews – E no fim das contas, quem vai decidir sobre 2026: se o Wellington vai ser candidato ao Governo, se vão coligar… É o senhor junto com a estadual? Ou serão Valdemar e Bolsonaro?
Ananias Filho – Cachoeira nunca corre de baixo para cima, é sempre de cima para baixo. Estou bem tranquilo que se a cachoeira vir de Brasília na minha cabeça [definições sobre candidaturas e apoios], vou ter que aceitar. Não tenho dúvidas.
Victor Ostetti/MidiaNews
O presidente do PL Ananias Filho, que disse já ter chapa completa para deputado federal e estadual
Mas o patrimônio que tenho hoje é a confiança do presidente Valdemar Costa Neto, do presidente Bolsonaro. Tenho a confiança do senador Rogério Marinho, da primeira-dama Michelle Bolsonaro…. E todas as conversas nossas lá em Brasília é que primeiro a gente faz um desenho e esse desenho a gente sempre vai discutir lá na Nacional. Nada vai ser isoladamente.
Eu vou ter que ouvir os parlamentares federais, todos os deputados estaduais, os pré-candidatos. Eu vou compilar essas informações todas e vou desenhar o tabuleiro.
Eu posso dizer que tenho tranquilidade na formação de chapa. Talvez a gente tenha que pegar algum partido, colocar como satélite, para que possa aproveitar e fazer a composição. Mas o sol nunca vai deixar de ser o PL.
MidiaNews – Sendo Bolsonaro inelegível, quem que seria o nome que o senhor especialmente defende para a presidência de 2026?
Ananias Filho – Bolsonaro. Bolsonaro. Bolsonaro. Não falamos outro nome dentro do PL. Estamos, inclusive, sem nenhum plano diferente disso. Nosso plano é Bolsonaro. E veja: temos convicção.
MidiaNews – O STF tornou o ex-presidente réu na ação que investiga uma trama de golpe de Estado. Posto a atuação do STF já em ações parecidas, acredita que ele será inocentado ou condenado nessa ação?
Ananias Filho – Se for um julgamento isento, não vai mostrar nem um momento a participação dele. Se você tiver lido todas as páginas do processo, você não vê em nenhum momento a presença dele ou a ação que possa tentar o tal golpe.
Veja a íntegra da entrevista: